Mas agora questiono-me se, desde o oficial início, realmente existiu equilíbrio; uma pessoa põe-se toda arrogante e cheia de si em diante de outras na mesma situação, e diz que só aguenta distância quem tem maturidade suficiente para lidar com ela e, no entanto, agora que páro para pensar, maturidade não é tudo. Para a distância dar certo faltam muitas outras coisas que, lá está, formam um equilíbrio, não colocando a pessoa em constante ansiedade e desconforto por não saber quando será a próxima vez que esse equilíbrio ocorrerá presencialmente.
É necessário então demasiado equilíbrio para tanta corda-bamba.
Eu não sei o que mudou. Só sinto a diferença, que paira entre nós como um aroma leve que vai e volta. Originam-se muitas conversas, demasiadas até, conversas pesadas sempre sobre a mesma temática. No final parece que tudo se resolveu; na semana a seguir, a conversa repete-se.
A este ponto, o equilíbrio deu lugar ao desgaste. Uma pessoa não sabe que mais conversar, questionar, para descobrir que raio de cheirinho é este que anda em nosso redor.
Onde está a confiança? Que raio de obsessão é esta que agora desceu sobre mim? Agora posso, com toda a certeza (coisa que não me faz feliz), afirmar que isto está a tornar-se obsessão; os pensamentos negativos surgem automaticamente, não em relação a mim, mas sobre ti. Porque parece que não sei mais quem tu és... Agora. Porque aposto que daqui a pouco saberei, e parecerás tal e qual aquele que conheci. Mas depois, momentos depois, já não saberei de novo quem és.
Não existe equilíbrio, nem no que escrevo. E não existe lógica, porque a nossa situação não a tem. E agora não me questiono sobre quando voltaremos a estar juntos, mas sim quando voltaremos a ser quem éramos.
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