Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.
Alberto Caeiro
Há mais de um ano, ele dedicou-me este poema e há ainda mais tempo que andamos numa roda viva.
Desde o dia em que nos conhecemos, ele mostrou ser alguém persistente, que não desiste. Sobretudo alguém que me ama.
Eu fui cega, ou quis ser, durante a maior parte desse tempo. No entanto, consegui decidir-me, consegui estabilizar, consegui lidar com o sentia, principalmente, perdi o medo e deixei de anular o que sentia. Ele é, sem dúvida, uma pessoa importante para mim, das melhores que já conheci. Chamem-me romântica, melosa, o que quiserem, mas neste momento eu sinto-me bem e sei o que quero. Quero-o a ele, para toda a vida.
Aquilo que temos é à distância, mas não deixa de ser algo verdadeiro, algo real. É complicado, desafiante, fazendo-nos recuar dois passos, quando acabamos de avançar um. Tal como diz Caeiro "Quase que prefiro não a encontrar,|Para não ter que a deixar depois", mas é amor, isso posso garantir. E antes disso, é uma verdadeira amizade. É qualquer coisa que funciona a todos os níveis e que, com o passar do tempo, vai-se tornar ainda mais possível.
Eu acredito nisto, ele também. Somos uma história de Reis e Princesas, não no sentido metafórico, fantasioso. Somos realmente uma história de encantar, porque os nossos apelidos assim o permitem. E isso só pode ser destino, não é verdade?
