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sábado, 18 de janeiro de 2014

tragédia do meco.

Lembro-me bem de toda a atenção dada à tragédia que aconteceu há um mês atrás, na Praia do Meco, onde 6 estudantes morreram. Aliás, foi um acontecimento aterrador para um país que apenas está habituado a noticias sobre crise e más posições de Portugal nos rankings.

No entanto, recordo-me bem daquilo que comentei na altura, acerca do único sobrevivente - 'Quem se vai f*der é ele!' (peço desculpa pelo termo). E bastou um mês para isso acontecer...
Hoje, o JN apresentou esta notícia: 'Família de vítimas do Meco querem processar sobrevivente' (ver aqui). E eu pergunto-me porquê.

É certo, o rapaz não fala e o que falou foi pouco. Mas vejamos a situação com bom senso - obviamente as famílias estão a passar por um mau bocado, mas e o que ele passou? Alguém já parou para pensar? Um rapaz que numa noite, e talvez em poucos minutos, viu desaparecer 6 dos seus companheiros?
Acreditem, a meu ver, é normal que ele não fale. Eu provavelmente estava na mesma situação, a querer reprimir todas as memórias daquela noite, a pensar o que não se podia ter feito. Um acontecimento deste tamanho para uma só consciência sobrevivente é traumático, e não se contam pelos dedos os sujeitos que andam por aí que ainda hoje sofrem de stress pós-traumático e que não se atrevem a falar de coisas que aconteceram há décadas atrás.

As famílias têm um objetivo com este processo - pressioná-lo. E sabem o que faz a pressão a um indivíduo nestas circunstâncias? Ainda o coloca numa posição mais defensiva, ainda o afunda mais.
O que quer que tenha acontecido não é inteiramente culpa dele. É de todos aqueles que estavam àquela hora, naquele local. Não me venham com argumentos de que ele era o líder do grupo e que provavelmente eles se atiraram ao mar porque era praxe;e muito menos com o facto de que eles estavam totalmente conscientes (ou sóbrios, deixo-vos à vontade de ajuizar). Ninguém, MAS NINGUÉM, no seu perfeito juízo se atira ao mar porque é praxe. Ninguém, MAS NINGUÉM, se atira ao mar porque 'vamos lá!'.

O meu juízo... Lamento imenso, mas eu acredito numa versão que engloba álcool e talvez outras coisas. E não concordo de todo com esta cena dramática de processar o miúdo. Se ele realmente é o único culpado nisto, acho que o peso da sua consciência para o resto da vida será pena suficiente.

Lá está, esta é uma história que talvez ainda faça correr muita tinta, que diverge em opiniões. Quem sabe de tudo não fala, e eu acredito que ele falará com o tempo. Neste momento, as famílias deviam era estar em silêncio, a fazer o luto por aqueles que foram, e deixarem-se de invenções que não farão os jovens voltar. Tal como certos corpos demoraram o seu tempo a ser entregues a terra, também a verdade desta história demorará o seu tempo a vir à superfície.

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