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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Desprezível... não é o suficiente


Hoje tinha decidido ver um filme, ler um pouco e ouvir alguma música antes de dormir. Estou de férias e a noite ainda é uma criança, sobretudo com um programa caseiro como este. Porém, o meu estado zen foi interrompido e ainda estou para arranjar uma única palavra que defina isto.

A esse senhor Camilo e ao outro protótipo de gente, Bernardo Loubet da Nóbrega, que apenas por ter um nome tão pomposo, tem de o colocar inteiramente no facebook... A vocês, seus maltrapilhos:

Sei perfeitamente que para discursos deste tom, eu deveria, como se diz no bom calão, cagar e andar, mas desculpem-me, não o consigo fazer. Neste momento, a minha raiva é palpável e corre pelas minhas veias e, se pudesse, soltaria uns belos palavrões para aliviar o stress.
Se existe algo inútil aqui foram essas palavras debitadas de alguém que fará parte da próxima geração de Portugal. Tenho medo, tenho vergonha!

As ciências sociais tornaram-se o enredo da minha vida, apaixonei-me completamente por uma das mais interessantes e poderosas ciências - a psicologia. PORQUE ISTO É CIÊNCIA!
Ciência não são apenas as engenharias, os números, os materiais químicos, os fuminhos que testam em laboratório. Não! E quem pensa isto é uma mente mesquinha. Porque ciência é tudo, incluindo vocês os dois que, infelizmente, são seres humanos, e fazem parte da componente social da ciência.
Por vocês, eu não teria futuro à minha frente. Aliás, por vocês, eu nem sequer andaria a estudar aquilo que gosto e aquilo que tenho a certeza que quero fazer o resto da minha vida. E essa é a diferença entre mim e vocês senhores - eu tive ótimos professores de português que me ensinaram a passar para papel a confusão desgarrada do meu cérebro, sem erros ortográficos; eu tive professores de artes que me ensinaram a ser criativa e que, quando os nossos objetivos escolhem o lado errado da bifurcação, nós podemos criar, imaginar, construir tudo de novo e do nada; tive professores de desporto que me incitaram a aproveitar as minhas capacidades, porque a vida não é só pensar. É correr, saltar - é ter corpo são. Professores de história, professores de francês, professores de inglês. E à minha cara professora de psicologia, que me demonstrou que o meu futuro não estava perdido e que quando fazemos algo que gostamos, isso não é trabalho.
Tenho a noção de que o país está mal para toda a gente, não só para as humanidades. Até eu, que defendo o meu curso com unhas e dentes, entendo o poço sem fundo em que estamos. Isso deve-se às inúmeras escolas privadas deste país que, por ano, formam mais psicólogos do que todos os estabelecimentos de ensino superiores públicos. São esses, os facilitados que arruínam a massiva geração. Até eu já pensei que a minha faculdade deveria reduzir o número de vagas... E não, não me importaria com isso, porque esforcei-me toda a vida para isto, e não seria o menor números de vagas que me impossibilitaria de entrar.

Este discurso assusta-me. Tenho medo do que as pessoas vão pensar sobre a minha futura profissão, aquilo que colocará alimento na mesa, roupa no corpo e, sendo ambiciosa, uns carimbos no passaporte. Tenho medo dos hipócritas que vão concordar com isto e daqueles que já apoiam.

A vocês os dois que se incluem na humanidade e não podem fugir dela... Espero um dia receber-vos no meu consultório, onde vos receberei com um grande sorriso e vos ajudarei nas vossas frustrações, por os vossos pais não vos terem deixado estudar artes, "porque isso é para paneleiros e não é vida"... Onde vos tratarei sem qualquer julgamento por palavras que disseram tempos antes.
No entanto, têm de pagar à saída e eu farei um belo jantar com o vosso tempo.


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